O nome vermelho de Yosano Akiko

            Fora do mar é a expressão pela qual o japonês localizou, ao longo da sua história, os universos estrangeiros. Situado num arquipélago, o país possui uma delineação de fronteiras marcada por delimitações físico-geográficas muito evidentes. É isso que se percebe no próprio termo 海外 (kaigai), o kanji oferecido pela língua para se referir a isto que, em português, traduz-se por “estrangeiro”. Constituído pelo encontro do kanji 海 (umi), para mar, e do kanji 外 (soto), para “do lado de fora”, ou para indicar uma noção de exterioridade, o significante 海外 (kaigai) parece encarnar uma noção muito pouco abstrata do que seria esse outro, estranho, diante do Japão.

            Nesse ínterim, não é difícil perceber que o mar assume um caráter significativo no imaginário de quem integra o universo nipônico. O mar é simultaneamente o espaço que deve ser desafiado para transladar-se, num movimento de deslocar-se de si para chegar ao outro, quanto o espaço que se projeta como a defesa natural máxima, quase bélica, isolando-o da aproximação alheia. Esse estabelecimento rígido de fronteiras é visto pelo pensador Katō Shūichi não apenas no nível marítimo, mas como uma atitude cultural que demarca a formação do Japão enquanto nação unificada. Em seu livro Tempo e Espaço na Cultura Japonesa, síntese e epílogo de todo o seu trajeto como estudioso acadêmico, Katō resgata a formação do Japão, analisando principalmente como foi se definindo, historicamente, a concepção de tempo e espaço que vigora nesse país. Sobretudo, é uma forte consciência das fronteiras espaciais, das noções de “interno” e “externo” e da percepção do que é homogêneo ou não a um grupo, que Katō percebe acompanhar a construção da sociedade japonesa – demarcando, inclusive, com bastante precisão, os momentos em que o país mais manteve suas fronteiras abertas às importações e exportações ou, ao contrário, quando preponderava a consideração de sua autossuficiência, fechando-as rigorosamente.

            O que se tira, por fim, dessa peculiar relação que o Japão estabelece com o estrangeiro, é um movimento político de revezar-se entre abertura e fechamento para com o outro, movimento elementar para pensar a própria organização interna do país, pois, como qualquer nação, é a partir da visualização dessa dinâmica que se passa a perceber as manifestações culturais no nível das suas particularidades embrionárias e dos seus encontros com outras culturas, das quais ela se alimenta. No final de seu livro, Katō Shūichi esboça uma síntese simplificada desses movimentos, até desembocar na realidade moderna da atuação imperialista estadunidense:

            “Antes do século IX, foi imprescindível importar a escrita e o budismo da China e da península coreana. Quando não se sentiu mais essa necessidade, a política japonesa do final do século IX encerrou as expedições japonesas à China Tang e Sui. Em meados do século XIX, havia a necessidade de introduzir a “moderna” legislação da Europa e dos Estados Unidos, as técnicas militares e o capitalismo. Tão logo deixaram de ser necessidades, tornaram-se dispensáveis, e, depois da Guerra Russo-Japonesa, o Grande Império Japonês voltou-se para o expansionismo […] Em resumo, quando o Japão vê-se em condições de acentuadas diferenças culturais em relação aos países estrangeiros, abre-se, introduz a cultura diferente (em relação à China Antiga); no período seguinte, isola-se em maior ou menor grau; e, enquanto assimila a cultura introduzida, produz uma cultura original (períodos Heian e Tokugawa). Em relação às extremas diferenças nas relações de poder internacional, o Japão visou alcançar o modelo apresentado pelo outro (a Europa e os Estados Unidos), e cumpriu num curto período de tempo esse objetivo (da Renovação Meiji até a Guerra Russo-Japonesa), pelo menos no que se refere às forças armadas.” (Katō, Shūichi. Tempo e Espaço na Cultura Japonesa, p. 232)

            Estão entregues os termos para introduzir-nos à história moderna deste país: a Era Tokugawa, que vai de 1603 a 1867, compreende o período de isolamento mais ferrenho, beirando mesmo a uma atitude de violenta hostilidade para com outras culturas que se aproximavam, tal como é o caso relatado das comunidades cristãs que, à época, foram completamente rechaçadas e impedidas de integrarem o Japão. O fim da Era Tokugawa, no entanto, marca uma fase de grandes reviravoltas, porque o país se depara com um universo exterior em plena comunicação e em processo de “modernização”. É neste instante que a Renovação Meiji entra: é uma atitude consciente do Japão diante desse novo mundo que ele vê mover-se perigosamente a sua frente. Segundo Katō, esses dois séculos e meio que antecedem o início da Era Meiji foram marcados por um isolamento tão profundo que, ao final do século XIX, a população japonesa, de fato – exceto por alguns poucos intelectuais – não tinha a menor noção das diferenças tecnológicas desenvolvidas pelas forças centrais do Ocidente.

            Nesse sentido, o início da Era Meiji, que compreende 1868 a 1912, tem por caráter a ativação, na sociedade japonesa, de um intenso processo de pesquisa e atualização do seu conhecimento e postura em relação às potências que começavam a demarcar seu poder no mundo. Muito diferente do que ocorre posteriormente com o Japão quando os Estados Unidos, ao finalizar a Segunda Guerra Mundial com as bombas atômicas, ocupam o país e instauram um agressivo processo de “ocidentalização”, o que ocorre nesta preparação para o início de século XX é a atuação consciente de uma sociedade cuja forte estrutura interna permitiu assimilar com cautela este mundo moderno que se desvelava diante dela. É o próprio movimento do mar se convertendo, agora, em espaço que dá abertura à conquista e exploração de novos conhecimentos.

            É neste contexto que surge Yosano Akiko. Nascida em Osaka, em 1878 (exatamente dez anos após o início da Era Meiji, da abertura de fronteiras), desde cedo a poeta demonstrou interesse por leitura e, ainda jovem, extravasou para a escrita, integrando a recém-formada revista literária 明星 (Myōjō), em 1900. Movida por um grupo chamado Sociedade da Nova Poesia, é através dessa relação com a revista e seu círculo que ela conhece Yosano Tekkan, o homem que encabeçava o projeto e que seria seu amante e futuro marido. Embora fosse nova, a posição de destaque de sua poesia era inegável, fosse escrevendo na forma tradicional, o tanka, fosse em versos livres, o shi. Essa proeminência consistia num motivo duplo: era o encontro da qualidade poética com sua capacidade de renovar uma atitude literária enrijecida pela tradição. Essa renovação não é, como talvez possa se pensar, a simples voz feminina ganhando eminência no âmbito literário. Embora o Japão não deixe de ser efetivamente uma sociedade patriarcal, essa estrutura dominante afeta o corpo e a forma como a mulher se manifesta de modos distintos de como ocorre no Ocidente; pensando em termos de produção ficcional, por exemplo, é muito evidente que em dados momentos históricos o hábito da escrita era muito mais cultivado por mulheres do que por homens. Resultado disso é a existência de obras como Genji Monogatari, escrito no início do século IX pela dama Murasaki Shikibu, considerado por alguns eruditos como o primeiro romance literário do mundo.¹ Não é, portanto, a simples posição de mulher poeta que faz Akiko corresponder às expectativas de “modernização” do início da Era Meiji. O impulso de restauração da sua poética baseia-se na forma como, em contato com os universos culturais que lhe chegavam por meio da fronteira plenamente aberta do Japão, Akiko é atingida pela verve feminista e a relê no seu próprio contexto:

“Chegou o dia em que as montanhas se movem
Falo, mas ninguém acredita em mim.
Por um tempo as montanhas ficaram adormecidas.
Mas, antigamente, elas dançavam com o fogo.
Não importa se acreditam nisso, meus amigos,
mas sim que acreditem no seguinte:
todas as mulheres que dormiam
agora acordaram e
se movem.”
(Yosano, Akino. Descabelados, p. 15)

            O tom inflamado e a consciência madura do que a força de um enunciado como esse produziria dão um vislumbre introdutório do jogo que o projeto poético da escritora estabelece com a sociedade tradicional japonesa. Pois é na importação dessa postura rebelde e inovadora para o tanka que Yosano Akiko atinge com força os valores sagrados e conservadores da cultura em vigor. O tanka (短歌, em tradução direta, “poesia curta”) é uma das formas primárias da lírica japonesa, cujo rigor estrutural mínimo, constituído em cinco versos (5-7-5-7-7, respectivamente) sem rimas, é tradicionalmente utilizado para cantar o amor ou para refletir a atitude contemplativa do poeta diante dos fenômenos da vida cotidiana, em especial o que se observa na natureza, com uma marcação persistente em imagens que remetem às estações do ano. Além disso, na sua estrutura há uma tendência em gerar uma cadência bipartida, na qual os três primeiros versos costumam sugerir um sentido autônomo que os dois versos seguintes apenas retomam no formato de uma explanação, um comentário. みだれ髪 (Midaregami, traduzido no Brasil como Descabelados), publicado em 1901, é o primeiro e mais famoso livro de Akiko – é uma antologia que reúne 399 tankas que, à época, causaram escândalo e polêmica, de um lado, e elogios e admiração, de outro. Donatella Natili, em apresentação à sua tradução da obra, escreve o seguinte sobre seu significado e repercussão:

            “O título Mideragami, composto de dois ideogramas 乱れ, que correspondem a “desordem, confuso”, e de 髪, que remete a “cabelos”, refere-se ao cabelo feminino, mas não deve ser lido como uma aparência antiestética ou desarmada da mulher. […] No Japão da época pré-moderna […], uma mulher com a cabeleira levemente em desordem evocava uma imagem particularmente erótica. Quando lemos as poesias de Akiko, portanto, temos de ter em mente o fato de que antigamente as mulheres eram orgulhosas dos seus longos cabelos pretos e faziam de tudo para mantê-los ordenados. Ser vista com os cabelos soltos era considerado vergonhoso, uma vez que uma das virtudes femininas era ter cabelos cuidadosamente limpos. Da mesma forma, as mulheres com as cabeças desarmadas eram consideradas imorais e lascivas.” (Natili, Donatella. Apresentação, In: Descabelados, p. 12)

            É com esse arcabouço imaginário em mente, portanto, que Akiko começa a construir seus tankas com uma dicção erótica inédita no contexto dessa forma poética e à voz feminina. Uma das marcas mais constantes dessa atitude é encontrada na proliferação de cores sugestivas sinalizando um processo de desabrochar sexual, que vai sutilmente retirando o corpo feminino do cárcere a que é submetido:

            ouça o poema
como negar o carmim
da flor do campo?
delícias     a    menina
pecar    na primavera
(p. 53)

mamilos duros
revelam-se os mistérios
tão docemente
uma flor     desabrocha
vem tingida de carmim
(p. 63)

vermelho     o nome
das flores     não conhece
vai     pelo atalho
a menina    depressa
sob a sua sombrinha
(p. 81)²

            Como mostram os três tankas selecionados em Midaregami, na repetição da alegoria da flor que descobre-se vermelha ao desabrochar, persiste esse movimento da mulher percebendo na manifestação da sua sexualidade a atribuição social de um caráter pecaminoso que, agora visto por um viés sensível e corpóreo, e não moral, ela trata de ressignificar imediatamente. Atrás do que chama-se de pecado, se esconde as delícias do corpo. Nessa escrita um tanto quanto lacunar, que não tem as arestas fechadas por conectivos ou termos que as relacione comparativamente, a imagem da flor no campo primaveril e da menina descobrindo o prazer do seu corpo não só parecem se confundir, mas, mais radicalmente, soam como se fossem uma coisa só. A imbricação da subjetividade humana no elemento da natureza beira a um encontro perfeito.

            No segundo tanka, revela-se um ponto auge desse corpo lascivo que se desenha no projeto erótico da escrita de Yosano. É o uso pontual, aliás, desse único termo para se referir a uma parte íntima e sensível do corpo, o mamilo, que faz aflorar uma série de explosões, tanto no interior do texto, com uma insinuação ao mesmo tempo sutil e tensa, por evocar esse desenrolar tórrido do prazer no corpo desnudo ao toque do amante, quanto no contexto em que foi escrito, por termos desse nível serem não só tabu, mas inconcebíveis na composição de um tanka.

            O último, o mais acanhado dos tankas selecionados, mostra mesmo uma garota em vias de começar a desvendar o erotismo. Ainda num estado de flerte com esse universo prestes a rebentar, a menina se oculta, temerosa, mas seu nome vermelho é uma dádiva que, inescapável, logo se desvelará.

Herick Martins Schaiblich

Bibliografia

Azevedo, Carlito. Akiko Yosano (1878-1942). Disponível em: http://www.memai.com.br/2011/01/akiko-yosano-1878-1942/ Acesso em: 22/01/2017.

Flores, Guilherme Gontijo. Sei Shônagon (966 – 1020). Disponível em: http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2013/05/sei-shonagon-966-1020.html Acesso em: 16/02/2017.

Katō, Shūichi. Tempo e Espaço na Cultura Japonesa. São Paulo: Estação Liberdade, 2012.

Kaupatez, Diogo. Akiko Yosano (1878 – 1942). Disponível em: http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2014/05/akiko-yosano-1878-1942.html  Acesso em: 22, 01, 2017.

Yosano, Akiko. Descabelados. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2007.

[¹] Essa reflexão retoma o comentário inicial que Guilherme Gontijo Flores faz numa postagem do blog revista modo de usar & co. acerca da poeta Sei Shônagon.

[²] Estes três tankas foram retirados do livro “Descabelados”, da Yosano Akiko, na tradução feita por Donatella Natili e publicada pela editora UnB. A decisão de colocar os tankas alinhados à margem direita corresponde a uma tentativa de reproduzir o cuidadoso projeto de tradução de Natili, que está frontalmente vinculado a uma tentativa de nos aproximar da experiência visual proporcionada pela composição dos tankas na língua japonesa.

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6 comentários sobre “O nome vermelho de Yosano Akiko

  1. Este texto ficou muito bem escrito, gostoso de ler, fluido. Adorei como você trouxe a questão do estrangeiro e o conectou com a Akiko, da qual não havia ouvido falar antes, mas que me deixou profundamente interessado. Sabe, Schaibs, eu adoro haikus. Já os tenkas, nunca conheci, mas agora que deles ouvi falar, gostaria de eventualmente saber mais sobre. Eu poderia me desdobrar em teorias, porém acho que nem tenho capacidade para tal, nem que valha a pena, depois de um texto tão gostoso desses <3 See ya.

    Curtido por 1 pessoa

    1. caralho você lê rápido demais menino, que coisa mais veloz. mas poxa, brigadão. esse texto é cheio de oficialidades porque apresentei pra um professor que estava bem cabreiro com isso de eu me meter com escritores japoneses, mas enfim, deu super certo. aliás, um comentário que ele frisou foi que o texto estava fluido, achei engraça a coincidência hahah. ah, gostei muito do que li da Yosano viu, infelizmente tem quase nada dela traduzido.

      Curtido por 1 pessoa

      1. Todos sempre dizem isso de mim, que leio rápido demais, meh, sei lá, faz parte do meu show, como diria Cazuza kkkk. Eu lembro da história desse teu prof aí, fico feliz que, no fim, tenha tudo dado certo ;P E ah, que tu ainda tenha, também, fugido de um ponto acadêmico comum e ainda sim conseguido agradar ao professor. E cara, eu sou um verdadeiro conhecedor das letra tudo, né? É lólbvio que eu devia dizer as mesmas coisas que seu professor,

        só que não hahaha, mas que bom, fico feliz que ele tenha identificado esta característica em teu texto, também

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  2. acho difícil uma percepção do mar no Japão contemporâneo, ou pós-restauração Meiji (que representa uma dimensão de fato do Pacífico, já que do Mar da China e o Mar do Japão já estavam dimensinados por contatos anteriores) que não passe pelo pensamento da fronteira, na dimensão de ser ao mesmo tempo aquilo que une e separa. Antes havia algumas questões de dimensão, pelo menos no que concerne ao Pacífico-leste, que ainda fazia o mar (ou melhor: parte do mar) assumir ainda uma dimensão mais misteriosa do que fronteiriça. Um pouco diferente da percepção portuguesa, por exemplo, que de um lado tinha uma fronteira por terra com o restante da Europa, da qual se separava, mas ao mesmo tempo garantia uma familiaridade, uma união, e do outro tinha um mar aberto para um abismo.

    A leitura do Kato insiste muito nessa alternância. Mesmo que a postura adotada seja de fechamento em alguns momentos, alguns hábitos colonialistas e imperialistas sempre estiveram presentes, as principais investidas de colonização dos japoneses sobre os ainus foram durante o período Tokugawa, de suposto fechamento. Acho que mais do que uma alternância rígida entre fechamento e abertura, há uma convivência ambivalente das duas posturas. O próprio Kato fala dessas relações um pouco dúbias ao falar dos muras, ou melhor: da arquitetura das salas de chá, pra mim é nela que mura um pulo-do-gato. Acho que funciona como um Know-how militar, mas pra deixar mais polido, e justo, um Know-how samurai (que é militar, mas não só).

    Eu andei pensando na questão do romance, nessa mania de “o primeiro romance”, esses dias. Oras, o Cervantes e a Murasaki viverem em matrizes culturais totalmente diversas, essa questão parece um tanto pernóstica, porque você precisa sempre comprar a lógica de alguma das matrizes pra resolver, e a própria noção de romance é européia, para os japoneses Genji Monogatari era uma outra coisa. No mais das contas, considero que os dois criaram o romance, cada um a tua maneira. Já que se aplica uma leitura anacrônica, aplicaremos ela também como incompossível. E, garanto, ue se o mundo for revirado mais ainda, uma porrada de “primeiros romances” pode surgir.

    No último dos três tankas, eu li uma questão de um desvelamento, um desconhecimento do perigo/prazer da carne, a menina que não conhece o nome vermelho das flores é a única que pode arriscar sem medo/desejo os atalhos.

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    1. e uma outra colocação de um know-how samurai nesse ponto de uma relação com o Outro: a sociedade japonesa é tradicionalmente uma sociedade de castas e em seguida de classes feudais. Dentro da própria lógica interna da sociedade, há aquele Outro para o qual se abre e aquele para o qual se fecha, seja num lógica de dominação, de defesa ou de troca.

      Curtido por 1 pessoa

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