Mês: janeiro 2016

uma canção para o ano que ficou

Tenho aqui alguns álbuns de 2015 pros quais senti vontade de traçar comentários. A intenção inicial era postar a lista no último dia do ano e tentar gerar um tantinho que fosse de interação. Como ultrapassei o prazo, a postagem fica pelo meu orgulho mesmo. Se for útil pra alguém, ótimo. Ah, a ordem e mesmo a escolha dos álbuns são um tanto irrelevantes. Se fosse para colocar realmente os meus “preferidos”, as escolhas mudariam – acontece que, ou eu não senti vontade de escrever sobre eles, ou senti que não tinha algo relevante a dizer.

à lista

Sandtimer - Vaporwave Is Dead - cover

Sandtimer – Vaporwave Is Dead

Desde que surgiu na internet por volta de 2010, o vaporwave foi espantosamente consumido e aderido. E embora sua proposta estética seja interessante, os artistas em si, não sei se por preguiça ou por não terem real consciência do que faz esse movimento ser pertinente (não é usar a voz do google translation e batidinhas já genéricas), estão soando extremamente descartáveis. Por esse motivo, Sandtimer foi uma surpresa agradável na minha playlist. O álbum vem como uma de espécie narrativa que tenta traçar a própria trajetória do vaporwave e a forma como ele reflete o ser humano. Ao longo do álbum, na realidade, eu tenho a impressão de que o vaporwave se apresenta de duas formas: primeiro, como um paciente num divã; em seguida, como um defunto numa autópsia – e nos dois casos, ele é um corpo diante da Verdade, do Criador, de Deus, e à mercê da sua (e da nossa) análise. Public Service Announcement, remontando sonoramente o cenário de uma guerra (ou melhor, uma intervenção militar) e anunciando repetidamente “Vaporwave must die”, é a faixa que faz a intermediação desses dois momentos. Não vou ficar me detendo em faixas específicas, porque é na autonomia da descoberta do ouvinte que parece residir a maior força desse trabalho. Por fim, é interessante perceber que nesse movimento de colocar o vaporwave sob o nosso olhar e decompô-lo com a intenção de compreender sua completude, o desfecho do álbum parece tentar destacar seu caráter incapturável (caráter que toda forma artística moderna deve assumir). No caso do vaporwave, recriando infinitamente articulações de imagens do passado e do presente nos seus projetos de um futuro apocalíptico, de destruição da vida, num mundo onde não há lugar para a esperança.

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