Mês: dezembro 2013

Vai lá socar um título epiléptico, vai

Esse texto foi escrito num turbilhão de inspirações poéticas e surreais, está infestado de citações musicais e literárias, algumas nem tão explícitas, além de ter pensamentos intrinsecamente fincados em relações com pessoas especiais para mim. O título, esse troço estranho, foi uma sacada que me veio abruptamente à mente logo depois de dar os últimos retoques no conto-poema-monstruosidade em si.

Mas tu, ache o que quiser.

Soca um título epiléptico aqui

Escrevo por pretensão. A de preencher o vazio da brancura sem fim desta página. Esse vazio que me faz retorcer em agonia, imperativando em mim a necessidade de teclar, de manchar, de sujar. Encher de sentido o inexistente, arrefecer a não-morte que sim ¿sim? só existe a partir da sim-vida. Entupi o inorgânico com a bio, então, estúpido, sai Apuleio, a alma supra-aristotélica do Corifeu que proclama, alarde!, os mandamentos do messias Rimbaud, emoldurado pelo bramido sacro dos eunucos surdo-mudo-cegos que batem à minha porta. Mas palpito o coração, minha mão destra começa a definhar, as unhas secam e supuram em pus. Meu sangue pulsa permeando as artérias de todos os planetas, saturno, netuno, os astros, a galáxia mártir, lua, sol, o buraco negro até ao inferno e aléns. Oxalá, a trindade carnal Nando-Reis-Caeiro tira-me a sanidade com dardos vomitando metafísicas sulfurantes, Louvai! Naqueles nãoos-lugares inominados grito por queimaduras, o suor descendo em cascata interminável sobre minha sobrancelha lembram-me num átimo a garganta do diabo que um dia visitei, mortífice, naquela internidade da vida. Quando? no tempo o vazio rasssteja. Jorge, sempre Amado, bolina -deussalino- meu sexo em ereção. A tesão tenciona, orgasmo ao paraíso. Sou a fênix que retorna das cinzas. Estrangeiro, talvez alienígena de nariz adunco. É o sarausilencio de Kafka num beijo embriagado em Lautréamont taraprostituto. Entorpecência, Reminiscência, Degenerecência. O grito sofrível lançou longe o lápis. Esse era eu. -…- eu? Tenho o mundo parado num estático acaso. No papel escrito não encontro as respostas. Mudérnage di menos, exclama a norma minha mãe. Concluo porque quero, mas ¿não? não tenho a vontade. Essa página solitária era mais satisfatória enquanto branca do que agora preenchida com meus incompreensíveis rabiscos negros entrincheirados num universo sem nexo; doutrine-nos com a beleza da inutilidade!. São os dogmas em doses de cachaça que alentam minha alma. São tudoos paralelos e são tudoos ambíguos. Do pouco que descobri aqui, somente o que não sei parece ser a meu favor, cantariam elas, as moças de lábios beatos e vozes rasgantes, todas suicidadas mesmo se ainda vivas. Era uma verdade? Continuam pela externidade.

Escrevo mesmo mesmo por meu puritanismo soberbo, para poder sentir pena dos pequenos-infantes do orfanato ali ao lado. É tudo uma mentira umedecida com uma libido fantasiosa, o arrecada-almas de cada-dia, o excremento amargo que tu tiras do ânus e enfias pela boca sucessivamente. Disfarça melhor na próxima, porrinha de Deus! … “Oh, lies, lies, lies” … Mentir agora é o meu ofício. E o teu aval faz-se desnecessário.